quarta-feira, 24 de julho de 2013

DECLARAÇÕES DO EX-GOVERNADOR, O ESTILO CIRO GOMES

Nonato Albuquerque e Wanfil entrevistam Ciro Gomes na rádio Tribuna BandNews.
 (FOTO:  Daniel Herculano/Tribuna do Ceará).
O noticiário político desta semana já está marcado pelas polêmicas declarações do ex-governador Ciro Gomes, feitas na terça-feira (23), em entrevista à rádio Tribuna BandNews FM (101.7), do Sistema Jangadeiro de Comunicação.

Entre outras coisas, Ciro Gomes chamou o vereador Capitão Wagner de lambanceiro e o vereador João Alfredo de inconsequente; disse que o procurador Oscar Costa Filho é exibicionista e sugeriu que o procurador Alessander Sales pintasse a bunda de branco para aparecer.

Destempero ou método?

Muitos ficam chocados com o estilo de Ciro, acusado de ser truculento. Eu estive entre os entrevistadores do ex-governador e o que eu pude perceber, na verdade, foi cálculo. O que a muitos parece destempero verbal, eu vejo como método, como ação premeditada. Se não, vejamos. As declarações foram feitas no rastro de questões sobre segurança pública e sobre o embargo da obra dos viadutos no entorno do Parque do Cocó, em Fortaleza.

Na prática, com Ciro imprimindo seu estilo desbocado, as discussões sempre acabam transferidas da esfera dos fatos para a das boas maneiras, onde o que se sobressai são as censuras ou os elogios à falta de polidez do entrevistado, com a vantagem adicional de deixá-lo em evidência mesmo sem mandato público ou cargo partidário, e de desviar o alvo natural das críticas, que seriam o governador e o prefeito, seus aliados.

Forma e conteúdo

E assim, a forma acaba ganhando mais relevo do que o conteúdo. É que as disputas políticas são diferentes das querelas judiciais ou dos debates acadêmicos. Na política, vale mais a versão do que o fato, já constatava o mineiro Tancredo neves. E a versão que prepondera é a que faz mais barulho.

Claro que esse é um jeito arriscado de atuar nos debates públicos, pois a margem para erros é demasiada curta. Não há espaço para a hesitação ou vacilo, pois a palavra dita não tem volta. E não basta querer ser polêmico, é preciso ter uma personalidade que comporte essa técnica, que pode ser muito útil, como, por exemplo, na hora de enfrentar consensos politicamente corretos, ou um desastre, caso venha a ferir a suscetibilidade do grande público.

Ciro Gomes apareceu na política com esse estilo, do qual agora faz uso, e com ele se tornou uma grande promessa da política brasileira. E também por causa dele, depois um ou dois escorregões, perdeu uma eleição presidencial. Acontece. Tem hora que funciona, tem hora que não. Por mais que seja calculado, é sempre um risco.

Informações: Blog do Wanfil,
Postar um comentário