sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

POR QUE UM BLOG?!

Comecei a escrever este blog sem maiores pretensões. A ideia inicial era apenas ter um espaço para compartilhar reflexões sobre a vida cotidiana com potenciais leitores: Amigos, colegas, familiares e outros que porventura despertassem o interesse em ler. O blog conquistou leitores e assumiu proporções que não imaginei.

Por que escrever? Para registrar experiências cotidianas? Para revigorar um dos passatempos mais antigos da humanidade: o falar de si mesmo e dos outros? Seria a necessidade do ego, também tão antiga quanto o mito de narciso? Por que, enfim, se expor? O costume humano a lutar contra o esquecimento é uma tradição que remonta à oralidade. A tecnologia contribui para isto.

Escrever é conversar consigo mesmo e com os outros; é organizar idéias e abrir a mente ao diálogo com o “feito”, o “falado” e aquilo que os olhos e os ouvidos nos transmitem. Devemos estar abertos a aprender com a própria experiência e, escrever sobre o que lemos, ouvimos e vivemos, é também uma forma de aprofundar este aprendizado. Esta disposição ao diálogo, a aprender com o mundo e os que vivem no mundo, é fundamental a quem se propõe a ensinar. O educador precisa ser educado e este processo é permanente.

Escrever é lutar contra a natureza, isto é, contra a potencial perda de memória que avança com o passar dos anos. Escrever é, simplesmente, uma necessidade – em especial quanto a mente parece enredada num turbilhão de idéias.

Eis o que espero ao utilizar este recurso. Que este espaço seja mais uma possibilidade para aprender ensinar, dialogar, compartilhar idéias; que seja um espaço de reflexão, crítica e autocrítica permanente dos noticiários.

Estas palavras se mantêm atuais. A inquietação também! Nestes anos, consegui manter o propósito de escrever semanalmente, às vezes também escrevendo às quartas-feiras. Foi um compromisso que assumi com os leitores. Mas, admito, não tem sido fácil mantê-lo. Escrever exige dedicação, tempo, inspiração e respeito. As palavras precisam ser pensadas, repensadas, organizadas de forma a dar coerência e transmitir algo que fale diretamente ao leitor. Palavras são pontes que comunicam sentimentos, ideias, etc. Mas as pontes precisam ser bem construídas, com carinho e consideração. Do contrário, tem o efeito oposto: palavras também tem potencial destrutivo, podem se revelar explosivas e destruir pontes.

É necessário, portanto, muito cuidado com as palavras – elas podem machucar, podem explodir as pontes que estabelecemos com muito esforço. Tanto podemos decepcionar, quanto nos decepcionarmos. Há momentos, porém, que as palavras se ausentam, tornam-se vazias de sentido ou simplesmente não há o que dizer. Não obstante, há o compromisso de escrever e, ao mesmo tempo, o respeito ao leitor indica que o escrito não pode ser apenas palavras dispostas na página em branco. Mas, o que escrever? Quando esta pergunta se impõe, a resposta sugere questões essenciais que me fazem pensar! Afinal, por que e para que escrever em um blog?

Título original: The Help (EUA, 2011, 137 min. Direção: Tate Taylor).

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