domingo, 16 de fevereiro de 2014

INTERNET E POLÍTICA

Hitler, Franklin Roosevelt e Getúlio Vargas, souberam como poucos usar o rádio enquanto instrumento político. Quando surgiu a TV, John Kennedy logo percebeu sua utilidade política. Com a Internet não foi diferente. Pouco a pouco os políticos descobriram as vantagens da comunicação virtual: ampliou-se o número de sites político-partidários, blogs, twitter, etc.. Em períodos eleitorais, a Internet transforma-se em mais um campo de disputa. Eles não hesitam em invadir nossos computadores com propaganda eleitoral– muitos devem ter perdido votos por isso.

Por que a Internet faz sucesso na política? Se levarmos em conta a composição social dos usuários temos a resposta: seu público é formador de opinião. O usuário da internet constitui uma elite socioeconômica – da classe média às grandes empresas, incluindo um setor intermediário com pouco capital econômico mas com certo acúmulo de capital cultural e poder de influência. Isso explica a sua importância política.

Por outro lado, o espectro ideológico na Internet é amplo. A pluralidade de idéias e informações circulando livre e democraticamente, aliado às facilidades da tecnologia, é um fator positivo; mas também negativo: imagine a potencialidade para a difusão de idéias racistas, nazistas, etc.. De qualquer forma, não é por acaso que o uso da Internet sofre restrições em países com governos ditatoriais.

A Internet, advogam os entusiastas, tem potencial para a construção da cidadania e o fortalecimento da democracia. De fato, a rede possibilita condições favoráveis ao acompanhamento e controle dos governantes.

Na Internet, acreditam os mais otimistas, somos todos cidadãos. Para os espíritos mais arrebatados, ela é sinônimo de liberdade e a máxima expressão da democracia. Deslumbrados com as facilidades e possibilidades da rede, os novos jacobinos esquecem que a virtualidade não elimina a realidade social e econômica injusta e desigual. Na verdade, gostemos ou não, a Internet reflete a estrutura de classes e grupos sociais materializada no capitalismo realmente existente.

Somos parte da elite que incorporou o computador ao cotidiano. Muitas vezes, o hábito ofusca a visão e sensibilidade sobre a realidade socioeconômica. Irmanados em nossas ilhas virtuais, muitos de nós olvidamos um dado simples: a exclusão digital espelha o apartheid social que mantém milhões de pessoas à margem. Enquanto nos irritamos com a lentidão da conexão, com o entulho que recebemos por e-mail, ou com as discussões sobre o sexo dos anjos, os excluídos reais e virtuais tem que matar um tigre a cada dia para terem o direito de viver.

Não obstante, reconhecemos as potencialidades da Internet enquanto meio de ativismo político. Os Zapatistas foram pioneiros no uso dessa tecnologia – mas também os grupos fundamentalistas cristãos e a Milícia Norte-Americana nos EUA. Contudo, o exemplo Zapatista comprova que a militância virtual é consequente na medida em que se vincule a movimentos sociais reais.

É necessário refletirmos sobre o militantismo virtual e até mesmo sobre o significado de escrever e publicar na rede. Não duvido das boas intenções, mas devemos atentar para o auto-engano da supervalorização do meio eletrônico enquanto instrumento de militância. Desvinculada da realidade, a militância virtual pode até alimentar o ego, apaziguar consciências e gerar a ilusão de que convertermos os convertidos. É preciso, porém, reconhecer os limites do ativismo virtual e evitar a ingenuidade dos que imaginam revolucionar a sociedade através de e-mails ou textos publicados na rede. Para esse tipo de ativismo a revolução está literalmente no ar…

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