domingo, 9 de março de 2014

TODOS QUEREM NOS CONVENCER DE QUE SÃO OS MELHORES PARA NOS REPRESENTAR

Vote pela vida”, “em quem trabalha pra você”, “em benefício da nossa gente”, em quem vai lutar pelo seu bairro e por você, em alguém “honesto que possa atender seu pedido quando você precisar”, “em quem tem experiência, em quem já fez e tem muito a fazer por você”. Todos querem o seu voto, todos querem representá-lo e estão ávidos para defender os interesses da população, os “seus interesses”, os “interesses da terceira idade, das crianças, dos jovens, das famílias”.

Há os modestos, os que se afirmam os paladinos de interesses específicos, da construção civil, dos vendedores, dos funcionários públicos, etc. Mas todos, indubitavelmente, querem nos fazer crer de que uma instituição como a Assembleia Legislativa Estadual é representativa dos interesses do conjunto dos cidadãos, considerados de forma abstrata e genérica. Você realmente acredita que eles possam representar os “seus” interesses?

Eles querem nos convencer de que precisamos deles e restringem nossa cidadania ao ato de escolher um entre eles. Prometem que trabalharão por nós e pela comunidade. Só temos que elegê-los. Cuidemos da nossa vida, eles nos representarão. Nas próximas eleições talvez sejam candidatos a senado ou outros cargos. Será melhor para eles: estarão ainda mais longe dos nossos olhos. Mas, agora, eles precisam de você, de mim, dessa coisa genérica que eles chamam de “comunidade”. “Vamos trabalhar pela comunidade”, dizem.

Querem conquistar o seu voto e poderem representá-lo – e claro, a remuneração e outros benefícios por isso. Um afirma que nasceu e mora na cidade há décadas ou região e que “chegou a hora de retribuir” tudo o que recebeu – ótima forma de retribuir! Outro pede uma espécie de retribuição pelas décadas de “vida pública”, ou seja, que o eleitor contribua para que possa ficar outros tantos anos. Os candidatos à reeleição têm o mesmo propósito: “continuar a trabalhar por você”. “Quero continuar a servir a população”, “como deputado vou ter condições de fazer mais por você”, “conto com seu o voto para continuar trabalhando pela comunidade”, insistem.

Vamos dar as mãos e lutar pela saúde” (vote em mim!). “Eu e você para acontecer” (o que?!). “Levarei sua voz para a assembleia” (e por acaso preciso que alguém fale por mim!).
Todos querem trabalhar por você e pela comunidade. Que lindo! Quanto desprendimento! São homens e mulheres de boa vontade, “bem-aventurados” e que também apelam para o discurso religioso. “Olá irmão eleitor”, diz um. Ora, nunca o vi e nem se parece comigo. Como pode ser meu irmão?! Há quem tenha “Deus no coração, amor ao próximo” e mãos para trabalhar por você. Que comovente!

O altruísmo parece guiá-los. “Apoiarei as entidades para promover a diminuição da desigualdade social entre ricos e pobres”, escuto. Não fica claro se os pobres ficarão mais ricos, ou os ricos mais pobres – ou o contrário. Mas ele promete. Quem sabe talvez socialize os recursos e salário que terá.

Todos querem nos convencer de que são os melhores para nos representar. Até mesmo os candidatos dos partidos da esquerda. Há quem realmente acredite no que fala; há quem acredita no que os outros falam; e há os honestos e bem-aventurados. Todos fazem o discurso da representação. Não perguntam se quero ou se posso ser representado. É preciso refletir sobre a própria ideia da representação.


Chega, chega dos mesmos! Caro eleitor, vamos dar um basta nessa palhaçada”, afirma o candidato. Concordo! Levarei a sério e não votarei, muito menos nele. Diz, categoricamente, outro: “Pense e vote consequente”. Agradeço e serei consequente. E você, caro eleitor?!


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