domingo, 15 de novembro de 2015

NÚMERO DE POBRES CAIU NO CE, MAS SE CONCENTRA NA ZONA RURAL



Foco da maioria dos programas sociais e demais iniciativas empreendidas pelos governos federal e estadual para combater e reduzir a extrema pobreza, a zona rural do Ceará, apesar de ter registrado uma diminuição no número de pessoas que vivem nessas condições precárias - e que põem em xeque até mesmo os conceitos de dignidade -, ainda concentra o maior número de domicílios cuja renda per capita é de apenas R$ 70.

De todos os domicílios agrícolas do Estado (aqueles em que pelo menos um membro está empregado no setor agrícola e 67% da renda do trabalho vem da agricultura), 37,85% abrigam pessoas em extrema pobreza. A constatação é do Atlas da Extrema Pobreza no Norte e Nordeste do Brasil em 2010, realizado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), em parceria com o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), usando como base os dados do Censo 2010.

Segundo o levantamento, 15,9% dos domicílios cearenses estavam em situação de extrema pobreza em 2010, dos quais 34,14% eram agrícolas. "Se você olhar dados mais recentes, tanto de zonas urbanas como rurais, o número de pobres e extremamente pobres declinou, mas essa relação de concentração da pobreza na rural continua", avalia o coordenador do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP), do Programa de Pós-Graduação em Economia (Caen) da Universidade Federal do Ceará (UFC) João Mário França.

Proporção

Essa relação, acrescenta, se repete em toda a região Nordeste e também no Norte do País. "Talvez a própria característica das pessoas, que têm instrução muito baixa, pouca qualificação e vive praticamente da agricultura de subsistência, ficam dependentes de programas como o Bolsa Família", diz França, buscando justificativas para a pobreza quase histórica dessas regiões brasileiras.

E mesmo com a melhora nos índices de pobreza, citada anteriormente pelo pesquisador, contextos recentes como elevação do desemprego e a possibilidade de cortes ou estagnação no Bolsa Família podem trazer, mais uma vez, aumento do número de pessoas nessa condição. "E tem ainda outro aspecto que vai fazer com que a pobreza aumente, que é a inflação. O poder real de compra das pessoas está diminuindo bastante", pontua.

A única maneira de reduzir a pobreza a longo prazo no Estado, e também nas duas regiões mais castigadas pela miséria, defende França, é atuar em várias frentes, mantendo as atuais estratégias (programas de assistência) e investindo em infraestrutura, saúde e educação. "Mas, com a crise que o País está vivendo agora, não tem recurso para fazer isso", pondera.

Outros índices

No Ceará, depois dos domicílios agrícolas, são os não agrícolas rurais (localizados em áreas oficialmente rurais, mas sem qualquer membro do domicílio trabalhando na agricultura) que concentram os maiores índices de extrema pobreza, com 30%, enquanto 9,45% é o total de unidades nessa condição dentro da categoria dos domicílios não agrícolas urbanos (situados em áreas oficialmente urbanas e sem qualquer membro do domicílio empregado na agricultura).

A extrema pobreza no Ceará fica distante da situação de estados como o Maranhão, que concentra 43% dos domicílios assim. Entretanto, o nosso Estado não se isenta de problemas como a quantidade de crianças pobres e falta de estratégia em ações contra a miséria.

Por Jéssica Colaço
Fonte: Diário do Nordeste


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