sexta-feira, 14 de outubro de 2016

"FALTAM 72 DIAS."



Enquanto os vencedores das eleições municipais mal podem esperar para tomar posse, gestores estressados e envelhecidos pelo acirramento da crise aguardam ansiosamente por uma espécie de libertação.

Esta é a contagem regressiva minuciosa, de quem se preocupa com cada instante que ainda tem pela frente como prefeito. Enquanto os recém-eleitos comemoram suas votações no domingo do dia 02 de outubro, os derrotados nas urnas aguardam com ansiedade pela meia-noite de 31 de dezembro, quando brindará por um esperado novo título: o de ex-prefeito.
Vivemos nos últimos quatro anos o auge da crise econômica e política no país. A arrecadação e os repasses estaduais e federais despencaram. Por outro lado, cresceram as atribuições e as despesas das prefeituras. Os gestores Sofrem diariamente forte interferência da judicialização na gestão, além de que estarem todos condenados ao rótulo de corruptos, tamanha a descrença da população na classe política.
A atuação do Ministério Público e do Tribunal de Contas é necessária, não há dúvidas. Mas é preciso ter limites. Muitas vezes um prefeito, para atender uma norma, obriga-se a descumprir outra. Ele é obrigado a pagar o piso do professor, mas se fizer isso vai ultrapassar o percentual da folha que a Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece. Uma das duas coisas ele vai descumprir, e já corre o risco de ser penalizado. Ele vive com uma espada sobre a cabeça.
As dificuldades não são particularidade dos gestores cearenses. Em todo o Brasil, somente 54% dos prefeitos aptos à reeleição enfrentaram o pleito em 2 de outubro. É o menor percentual desde 2000, quando a possibilidade do segundo mandato consecutivo foi permitida. Só que cada região e município reservam ainda particularidades.
A atual geração de prefeitos é a mais azarada de toda a história. A instabilidade financeira do país e do Estado se reflete onde as pessoas moram. E elas não moram na União ou no Estado, elas moram nos municípios. E é aqui na cidade pequena que a ligação que o gestor tem com a comunidade é maior.
Existem municípios que se fechar a prefeitura hoje e não abrir mais, os prefeitos fecham o mandato no vermelho. Tem prefeitura que a despesa fixa diária é maior que o repasse. Como fazer? Parar com o transporte escolar? Com a merenda escolar? Fechar os postos de saúde? Demitir os médicos? Parar de dar remédio? De recolher o lixo? Existem municípios que tem uma despesa fixa assim: 51% da arrecadação vai para salários, tem que aplicar no mínimo 25% em educação e 15% em saúde. E sobra quanto para as demais áreas?
Diante do deprimente cenário, os servidores públicos, fornecedores e comerciantes estão preocupados. Salários para receber, as contas para pagar e as informações não são animadoras.
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