segunda-feira, 16 de junho de 2014

SABEDORIA BÍBLICA PARA A REFLEXÃO

Quanto mais conheço o ser humano, mais me surpreendo. Não obstante, tento compreender! Isto, sob o risco da redundância, significa também tentar compreender a si mesmo. O “eu individual” não existe isolado numa ilha isolado à la Robinson Crusoé. Mesmo o personagem da ficção trazia em si a formação educacional e religiosa e sentia a necessidade de conviver com outros. Somos seres sociais e não há como escapar do olhar que nos perscruta, que reprova e censura, que interpreta equivocadamente os nossos gestos e palavras. É do humano, demasiado humano, como diria Nietzsche. Fazer-se compreender adequadamente é um Trabalho de Sísifo. Às vezes, é preciso simplesmente exercer a paciência e recolher-se à reflexão. Nestes momentos, palavras de sabedoria podem contribuir, até mesmo com os incrédulos! Eis algumas que selecionei da minha leitura bíblica:

“Coloquei todo o coração em compreender a sabedoria e conhecimento, a tolice e a loucura, e compreendi que tudo isso é vento” (Eclesiastes, 1, 17).

“Muita sabedoria, muito desgosto; quanto mais conhecimento, mais sofrimento” (Ecl, 1, 18).

“O sábio tem os olhos na cabeça, mas o insensato caminha nas trevas. Porém, compreendi que ambos terão a mesma sorte. Por isso disse em mim mesmo: “A sorte do insensato será também a minha; para que então me tornei sábio?” Disse em mim mesmo: “Isso também é vaidade” (Ecl, 2, 14-15).

“Não há lembrança durável do sábio nem do insensato, pois nos anos vindouros tudo será esquecido: o sábio morre com o insensato” (Ecl, 2, 16).

“Pois a sorte do homem e a do animal é idêntica: como morre um, assim morre o outro, e ambos têm o mesmo alento; o homem não leva vantagem sobre o animal, porque tudo é vaidade” (Ecl, 3, 19).

“Vaidade das vaidades, tudo é vaidade” (Ecl, 1, 2).

“Com o tempo, nosso nome cairá no esquecimento e ninguém se lembrará de nossas obras; nossa vida passará como uma nuvem – sem traços –, se dissipará como a neblina expulsa pelos raios do sol e, por seu calor, abatida. Nossa vida é a passagem de uma sombra, e nosso fim, irreversível; o selo lhe é aposto, não há retorno” (Sabedoria, 2, 4-5).

“Nas muitas palavras não falta ofensa, quem retém os lábios é prudente” (Provérbios, 10, 19).

“Quem vigia a própria boca guarda a sua vida, mas se perde quem escancara os lábios” (Pr, 13, 3).

“Resposta branda aplaca a ira. Palavra ferina atiça a cólera” (Pr, 15, 1).

“Quem retém suas palavras tem conhecimento, espírito frio é o homem inteligente” (Pr, 17, 22).

“Onde não há conhecimento o zelo não é bom; quem apressa o passo se extravia” (Pr, 19, 2).

“Quem guarda a boca e a língua guarda-se da angústia” (Pr, 21, 23).

“Maças de ouro com enfeites de prata é a palavra falada em tempo oportuno” (Pr, 25, 11).

“Cidade aberta, sem muralhas; tal é o homem sem autocontrole” (Pr, 25, 28).

“Não sejas hipócrita diante do mundo e cuida dos teus lábios” (Eclesiástico, 1, 39).

“Não sejas atrevido com a tua língua, preguiçoso e indolente em teus atos” (Eclo, 4, 34).

“Sê pronto para escutar, mas lento para dar a resposta” (Eclo, 5, 13).

“Aquele que fere o olho faz cair lágrimas; ferindo o coração faz aparecer os sentimentos. Quem joga uma pedra nos passarinhos afugenta-os, quem insulta o amigo desfaz a amizade” (Eclo, 22, 19-20).

“Porque semeiam ventos, colherão tempestade!” (Oséias, 8, 7).*
Sei que é muito difícil colocar em prática os ensinamentos que a sabedoria indica. De qualquer forma, são palavras sábias e, oxalá, possamos aprender com elas! Um bom começo é reconhecer que somos falíveis e, portanto, expostos à crítica. Resta-nos exercitar a paciência e a tolerância, ainda que as palavras sejam injuriosas e os caminhos tortuosos! O mais é vento, vaidade!

* As citações são da Bíblia de Jerusalém – Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2010.




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