terça-feira, 22 de julho de 2014

A IMPORTÂNCIA DO VEREADOR

O vereador é o primeiro contato com a sociedade. Às vezes, o cidadão vai até a Prefeitura para falar com secretários, para falar com o próprio prefeito, mas acaba não tendo a devida atenção, dependendo do porte do município. Os problemas acabam, portanto, batendo na porta do gabinete dos vereadores, que acolhem a demanda, inevitavelmente. Isto quando o vereador dá expediente para atender o povo, ao contrário daqueles que só aparecem em dias de sessões.

Devido a esta dinâmica, os vereadores acabam tendo um contato mais direto com a sociedade, acabam conhecendo de forma detalhada os problemas do município.

Uma das piores coisas que existe é ser vereador de oposição. Não apenas porque o vereador de oposição vive de pão e água, mas porque a arte de construir a oposição é extremamente difícil. O vereador de oposição precisa pressionar o projeto do prefeito, porque são projetos diferentes, mas não pode ser um posicionamento que o distancie da sociedade, ou que você venda a cidade de uma forma que a população começa a questionar sua postura.

O vereador de oposição precisa mostrar que representa outro projeto, mas não pode cair no isolamento. Não falo de isolamento na Câmara, falo do isolamento na sociedade. Tem gente que fica 8 anos como vereador isolado, os colegas não aprovam nem requerimento.

O vereador de oposição precisa buscar o ponto de equilíbrio entre o projeto que ele defende e a forma de criticar e como criticar o projeto do prefeito a que ele se opõe. A relação que o vereador oposicionista estabelece com a sociedade é fundamental para ganhar credibilidade.

Sempre acreditei que a atividade de vereador possui dois pilares: primeiro, a arte de legislar; segundo, a organização social. Se o vereador conseguir construir esses dois pilares, não tenho dúvida de que ele será um belo parlamentar.

Conhecer o Regimento Interno, saber formular requerimento, elaborar bons projetos de lei, saber fiscalizar, são atividades que o vereador não deve abrir mão.

A segunda é organizar e mobilizar a população. Portanto, o vereador conhece a arte de governar, mas também tem lastro na sociedade, está em contato com a sociedade, ele participa efetivamente da vida da sociedade.

Tudo em nossa vida precisa passar por um planejamento. O mandato também necessita de um bom planejamento. O vereador precisa saber estabelecer prioridades, pois, dependendo do porte da cidade, o mandato do vereador não chega a todos os bairros.

Ele pode dialogar os problemas gerais da cidade, mas precisa escolher aquela região que pretende ter raiz, base organizada, estabelecer de fato uma base social. No planejamento, o parlamentar pode definir em quais áreas pretende ser autoridade para fazer o debate.

A tendência é o vereador querer abraçar a cidade inteira, especialmente vereador de primeiro mandato, falar de tudo, atacar a cidade inteira. Aí tende a ter um mandato disperso. Já vi parlamentares brilhantes não se reelegerem por falta de planejamento destas questões.

Muitas vezes alguns vereadores acham que aquilo que falam na Câmara é escutado pela cidade inteira, e não é verdade. O cidadão comum só se volta, ou só foca na política, durante o processo eleitoral. Já ouvi vereador fazer um discurso coerente, inflamado e com conteúdo, mas pouquíssimas pessoas ficaram sabendo do que ele tratou.

Tem vereador que pensa que o centro da cidade é a Câmara. O centro das coisas para as pessoas é a saúde, o emprego, a educação, a creche... E nem sempre o assunto que julga-se.

O vereador precisa ter uma política de comunicação para com a cidade, pode ser um informativo simples, mas é importante prestar contas do mandato. Lembrar que o eleitor existe.

O vereador de situação tem mais facilidade de ver seus pedidos atendidos, mas se não tiver um trabalho forte na sociedade, tende a desaparecer. Como ele estará alinhado com o prefeito, não vai ter visibilidade na crítica, na denúncia.

O vereador de situação fica sempre na sombra do governo. Ele só sobrevive se tiver muita organização social e se também conquistar autoridade na defesa de alguns temas.
Com relação aos prefeitos, temos normalmente duas características: todo prefeito quer compor a maioria na Câmara, caso contrário, não governa.

Tem um tipo de prefeito que busca a maioria de forma mais habilidosa, e tem um tipo de prefeito que pretende buscar a maioria através da truculência. A tendência deste último é tratar o vereador a pão e água, não anuncia e não saúda o vereador presente nos eventos da cidade etc.

O primeiro tipo de prefeito busca compor a maioria utilizando-se de forma mais republicana. Reconhece o papel da Câmara, é cordial com todos os vereadores.

Buscar a maioria é fundamental para qualquer prefeito. O vereador pode ser o equilíbrio entre os Poderes.

O prefeito deve ter um relacionamento saudável com os vereadores, pois ele precisa da Câmara. A arte de governar é a arte de buscar apoio junto aos vereadores, dada a importância do papel que os mesmos ocupam. O prefeito precisa buscar a governabilidade na Câmara e também junto à sociedade.

Concluindo: a Câmara é a grande escola da política. É muito mais difícil ser vereador de oposição do que de situação. Se valorizem enquanto vereadores, pois o prefeito não faz nada sem a atuação dos vereadores.


Texto adaptado por Luciano Silva



Postar um comentário