segunda-feira, 12 de março de 2012

Ipea vê queda na expectativa das famílias com economia


A expectativa das famílias brasileiras em relação à situação econômica nacional caiu 2,6% de janeiro para fevereiro, segundo o IEF (Índice de Expectativa das Famílias) elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), após dois meses seguidas de alta.
O Ipea, órgão ligado à Presidência da República, faz o levantamento mensalmente em 3.810 domicílios, em 214 cidades. Na escala do Ipea, a pontuação acima de 60 pontos indica otimismo; abaixo de 40, pessimismo.
A pesquisa referente a fevereiro de 2012 mostrou que o IEF caiu dos 69 pontos que ocupava em janeiro --recorde da série iniciada há 19 meses--, para 67,2 pontos no mês passado, retornando ao nível de janeiro de 2011. De janeiro de 2010 (67,2) para fevereiro de 2011 (65,3) a queda havia sido de 2,8%.
Segundo o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, ainda é cedo para afirmar que este seja um comportamento sazonal das famílias de janeiro para fevereiro.
"Aparentemente há uma sazonalidade da expectativa ser decrescente no início do ano, mas ainda há dúvida se é uma acomodação sazonal ou já reflete menor nível de expansão do país", disse Pochmann, durante divulgação do índice.
A dúvida reflete principalmente o fato de que a queda não foi observada no país como um todo, mas em algumas regiões.
A região Centro-Oeste foi a que teve maior queda na expectativa com a economia, de 13,6% em relação a janeiro, seguida pela região Sul (-6,2%) e Nordeste (-4,2%). A região Norte teve alta de 1,3% e a Sudeste de 0,4%. "Se tivesse queda em todas era mais fácil interpretar", admitiu Pochmann.
A base de comparação também pode ter influenciado, segundo Pochmann. Entre outubro de 2011 e janeiro de 2012, o IEF havia disparado 6%.
"Essa alta foi decorrente de medidas anunciadas pelo governo no segundo semestre (de 2011) como o pacote de exoneração fiscal, queda de juros e o anúncio de um salário mínimo maior, senão ia desacelerar ainda mais", explicou.
Segundo ele, essas medidas foram suficientes para manter o otimismo no ano passado, mas o comportamento das famílias daqui para frente vai depender de novidades que podem ser anunciadas, como a recente queda de juros.
"Uma redução mais acentuada de juros pode estimular as compras, ser um estímulo à volta do endivdamento", disse.
A pesquisa apontou que as famílias mais otimistas são as que possuem ensino médio completo ou incompleto e que ganham entre 5 e 10 salários mínimos.
A expectativa em relação aos próximos 12 meses é um pouco menos otimista, com a espera de melhores momentos para a economia por parte de 63,2% dos entrevistados, contra 64,9% um mês antes. O número de famílias que esperam piores momentos por outro lado aumentou, de 22,5% para 23,8% de janeiro para fevereiro. O índice é mais pessimista entre as famílias que ganham até um salário mínimo, detectou a pesquisa do Ipea.
BENS
A percepção sobre o momento atual para adquirir bens de consumo duráveis também caiu. Em janeiro, o índice que indica ser um bom momento para essas aquisições era de 64,4 pontos e em fevereiro despencou para 58,6 pontos, uma queda de 9%, segundo a pesquisa do Ipea.
Por outro lado, a indicação de ser um mau momento para aquisições de bens duráveis aumentou de 32,2 para 37,3 pontos, alta de 15,8%.
Mesmo assim, as famílias estão seguras quanto à manutenção de seus empregos, ao mesmo tempo em que não esperam melhora nos cargos que ocupam atualmente, segundo a pesquisa. Do total ouvido pelo Ipea, 78,6% se dizem seguros nos seus empregos.
O Ipea detectou ainda que as famílias estão mais endividadas. Em janeiro, 57,1% dos ouvidos se declararam sem dívidas, índice que caiu para 56,4% em fevereiro. Já a categoria muito endividada ficou estável em 7,6% dos entrevistados.
A capacidade de pagamento de contas atrasadas caiu de 17,1% para 16,4% de janeiro para fevereiro, enquanto os que não terão condições de pagar subiu de 35,1% para 36,6%.

Fonte:Folha.com - Poder - Principal 
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