sexta-feira, 8 de junho de 2012

PF apura desvio de R$ 100 milhões do Banco do Nordeste

 De acordo com as investigações, o dinheiro seria usado como caixa dois em campanhas políticas.

A edição da revista Época que chega às bancas neste final de semana traz  reportagem que revela um novo escândalo de desvio de dinheiro envolvendo o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e integrantes do Partido dos Trabalhadores. A Polícia Federal investiga um rombo de R$ 100 milhões, que seriam destinados a financiamento de campanhas políticas.
De acordo com a revista, o novo esquema de desvios e fraudes no BNB teria ocorrido com o uso de laranjas ou notas fiscais frias para justificar empréstimos ou financiamentos tomados no banco. Entre os nomes envolvidos nas investigações da Controladoria Geral da União (CGU) e da Polícia Federal, há pelo menos dez filiados ao PT.
A reportagem relembra o caso dos "dólares na cueca", em referência ao poder do deputado federal petista José Nobre Guimarães sobre o BNB. Na época do escândalo, em 2005,   um ex-assessor de Guimarães foi preso no Aeroporto de Garulhos com mais de US$ 100 mil na cueca. As investigações indicaram na ocasião que o dinheiro era propina recebida pelo então chefe de gabinete do BNB e ex-dirigente do PT, Kennedy Moura, para acelerar empréstimos no banco. 
O suposto desvio de dinheiro também envolve o atual chefe de gabinete do BNB, Rogério Gress do Vale. Ele foi o quarto maior doador como pessoa física para a campanha de 2010 do hoje deputado federal José Guimarães. Somente a empresa dos cunhados de Rogério Vale recebeu quase R$ 12 milhões do banco em empréstimos fraudulentos. 
O poder de Guimarães sobre o BNB pode ser medido a partir da lista dos doadores de sua bem-sucedida campanha ao segundo mandato, dois anos atrás, diz a revista. A maior doação de pessoa física é dele próprio. A segunda é de José Alencar Sydrião Júnior, diretor do BNB e filiado ao PT. A terceira é do também petista Roberto Smith, presidente do banco no período em que ocorreram operações fraudulentas e hoje presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará, nomeado pelo governador Cid Gomes (PSB).
O atual presidente do BNB, Jurandir Vieira Santiago, vem em 11º na lista de doadores para a campanha de José Guimarães. Eleito para a Câmara Federal pela primeira vez em 2006, com a maior votação do Ceará, Guimarães ganhou poder na Câmara. Tornou-se vice-líder do governo e passou a ser amplamente reconhecido como o homem que indicava a diretoria no Banco do Nordeste. No disputado campo de batalha da política nordestina, o BNB é território de José Guimarães, assinala Época.
Apresentado ao levantamento e aos documentos, o promotor do caso, Ricardo Rocha, foi enfático ao afirmar que vê grandes indícios de um esquema de caixa dois para campanhas eleitorais. “O número de filiados do PT envolvidos dá indícios de ação orquestrada para arrecadar recursos”, afirma Rocha.
A maioria das operações fraudulentas ocorreu entre o final de 2009 e o início de 2011. Somados, os valores dos financiamentos chegam a R$ 100 milhões, e a dívida com o banco a R$ 125 milhões. Só a MP Empreendimentos, a Destak Empreendimentos e a Destak Incorporadora, empresas que pertencem aos cunhados de Robério do Vale, conseguiram financiamentos na ordem de R$ 11,9 milhões. Elas pertencem aos irmãos da mulher de Robério, Marcelo e Felipe Rocha Parente.
Segundo a auditoria do próprio banco, as três empresas fazem parte de uma lista de 24 que obtiveram empréstimos do BNB com notas fiscais falsas, usando laranjas ou fraudando assinaturas. As empresas foram identificadas após a denúncia feita por Fred Elias de Souza, um dos gerentes de negócios do Banco do Nordeste. Ele soube do esquema na agência em que trabalhava, a Fortaleza-Centro, e decidiu procurar o Ministério Público, em setembro do ano passado.
Guimarães repudia envolvimento
O deputado Guimarães nega ter conhecimento das irregularidades e repudia qualquer envolvimento de seu nome relacionado a desvios de recursos no BNB. O comando do BNB diz nunca ter sido omisso quanto às irregularidades e que vários dos envolvidos foram demitidos. Robério do Vale, chefe de gabinete, afirma que sua função não interfere no processo de concessão de crédito. Ele diz que o banco deve apurar as irregularidades e punir os responsáveis. O ex-presidente do banco Roberto Smith diz não ter tomado conhecimento do relatório da CGU nem das conclusões da auditoria interna, por estar fora do banco desde 2011. Afirma que, no final de seu mandato, recebeu denúncia de desvios de crédito e encaminhou para a auditoria.
Fonte: Cnews
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