domingo, 7 de julho de 2013

CARA LISA



O médico, antropólogo e professor universitário Antônio Mourão comenta o uso de avião da FAB, por parte do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, que juntou a família para assistir a final da Copa das Confederações. Confira:

Em plena crise, com povo na rua, manifestações populares estourando por todos os cantos, o Brasil vive momentos de perplexidade. Há uma espécie de catarse social: ninguém aguenta mais! Chega de corrupção e apropriação da coisa pública.

Estes episódios deveriam causar alguma consequência. São recados diretos para a instância política. Entretanto, em plena efervescência, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), achou de mobilizar um avião da FAB para, com sua patota familiar, assistir à decisão da Copa das Confederações no Rio de Janeiro.

Denunciado, ele apenas considerou um “equívoco” e decidiu reembolsar o Tesouro com R$ 9,7 mil. Indenizando, fica tudo ajustado. Foi só uma questão de vacilo. Não vendo, pode. Princípio básico do que configura, em psiquiatria, o que chamamos de psicopata. “Pas vu, pas pris!”

Dessa forma, ele pensa ter encerrado o assunto. Para ele, essas manifestações não têm nada a ver com a sua conduta. Ele sempre pode. Por que não poderia agora? Maria Antonieta no arvorecer da Revolução Francesa comentou com sua camareira: mas por que esse povo grita tanto? Ao que a assistente explica: “Querem pão, majestade. Pão! Porque não tem pão”. Diz solene a rainha: “Se não tem pão, por que eles não comem brioches?” (espécie de biscoito)

Há uma postura de desdém, de apropriação. De que o cargo – no mais das vezes comprado – é dele. Não se trata de uma representação. Não precisa dar explicações, justificativas. A voz rouca das ruas está gritando o contrário. Querendo que se volte à essência da democracia.

Nesta quinta (4/7), o jornal Folha de S. Paulo noticiou que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), usou avião da FAB para viajar de Maceió a Porto Seguro no dia 15 de junho. Renan, segundo o jornal, foi participar do casamento da filha do senador Eduardo Braga (PMDB-AM). Renan, com toda a empáfia: “Deixa eu explicar. O avião da FAB, usado por mim, é um avião de representação. E eu o utilizei como tenho utilizado sempre, na representação como presidente do Senado”.

E fim de papo.

Em artigo no O POVO deste sábado (6).

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